Chapecó, 22.10.14 – Santa Catarina possui cinco portos, com 500 quilômetros de costa e 600 quilômetros de raio de abrangência. Este cenário é benéfico para que três armadores atraquem do Estado em três portos. Contudo, Santa Catarina explora pouco o transporte por cabotagem, afirmou o economista e mestre em administração Marco Aurelio Pereira Dias durante a palestra que integrou a programação de abertura da Feira Internacional de Logística, Transporte e Comércio Exterior (Logistique). O evento prossegue até sexta-feira, dia 24, no Parque de Exposições Tancredo de Almeida Neves em Chapecó.
Com a temática “A intermodalidade para Santa Catarina – rodovias, portos e ferrovias e a importância da formação de profissionais para o mercado logístico”, Pereira Dias resgatou a história da logística de meados de 1400 até a popularidade do termo nos dias atuais. O objetivo foi apresentar, principalmente, a evolução do setor nos últimos 20 anos, que passou de um sistema manual para um controle informatizado integral.
“A globalização da logística veio a partir da informatização, desta maneira, as principais atividades estão relacionadas ao transporte, gestão de estoque, processamento de pedido e nível de serviço e atendimento”, complementou.
No contexto da evolução do setor, fatores para expansão são preocupantes a exemplo da falta de mão de obra e de qualificação profissional. “Precisamos treinar os profissionais para visualizar a situação de maneira macro, ou seja, ele precisa compreender sobre transporte rodoviário, aquaviário, ferroviário e aéreo e apresentar a solução mais econômica”, exemplificou.
Para os embarcadores os desafios estão relacionados à intralogística, mas não ao que se refere ao processo interno de controle dentro das fábricas e sim ao chegar e sair das empresas. Por isso, Pereira Dias ressaltou que o problema está interligado ao transporte, com falta de veículos, ineficiência do sistema, falta de mão de obra, congestionamento nas estradas e nos portos.
A alternativa é a intermodalidade, uma vez que o Brasil tem 1.756.000 km de estradas, sendo que destas 212.000 km foram pavimentadas até 2012.”O intermodal funciona com conexões mas, para isso é preciso de investimentos. Além disso, é importante ressaltar que o sistema é fundamental mas só funciona para determinados tipos de carga”, argumentou.
Para funcionar o multimodalismo, segundo Pereira Dias é preciso competitividade na origem, combinação dos modos de transporte (logística) e competitividade no destino. O processo de implantação de multimodalidade ocorre quando há transferência da carga das rodovias para os demais modais. “A matriz de transporte está distorcida, com deterioração da infraestrutura e deficiência nos investimentos. A ferrovia é uma esperança, mas não é a solução, pois sozinha não funciona é preciso das conexões. Por outro lado, Santa Catarina tem cinco portos eficientes e grandes, e no próximo ano terá o sexto, podendo explorar o transporte por cabotagem”, afirmou.
LOGISTIQUE 2014
O evento, que está em sua 4ª edição, é promovido pela Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) e pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Chapecó (Sitran) com organização da Zoom Feiras & Eventos, com apoio das principais instituições do setor: ABRALOG, CNT, ABTC, Banco do Brasil, Prefeitura de Chapecó, Sebrae/SC e SEST/SENAT.
Fonte: Marcos A. Bedin/ MB Comunicação
Fotos: Junior/ UQ Design