Itajaí, 24.4.14 – A possibilidade de construção de um superporto em alto-mar no Uruguai (com suposto financiamento brasileiro, inclusive) tem sido alvo de intensa especulação. No início da semana, o jornal o Globo publicou reportagem em que afirma que, com um calado de 20 metros e a capacidade de receber navios maiores do que qualquer porto brasileiro, o porto uruguaio poderia, em tese, esvaziar os terminais por aqui. Especialmente no Sul e no Sudeste. A hipótese, por enquanto, tem sido refutada em Itajaí, sede do maior porto do Estado e o 2º maior do país em movimentação de contêineres, atrás apenas do Porto de Santos.
No trade portuário local há consenso de que ainda é cedo para se falar em queda nas operações. Acredita-se que, mesmo que o Uruguai atraia armadores interessados em menores custos e na possibilidade de operação com navios maiores, os portos brasileiros continuarão necessários para receber as cargas que desembarcarem no Uruguai. É o que diz o presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima e Comissárias de Despachos de Santa Catarina (Sindasc), Eclésio da Silva. Caso contrário, o superporto poderá esbarrar na falta de estrutura para transporte via ferrovias e rodovias – o que o tornaria inviável.
O perfil dos armadores que operam por aqui também não combinaria com o modelo de movimentação que, em tese, será adotado no Uruguai, de acordo com o superintendente do Porto de Itajaí, Antônio Ayres dos Santos Junior. Paulo Corsi, superintendente do Porto de São Francisco do Sul, compartilha da opinião de que não haverá impacto operacional ou de mercado.
…
Se o empréstimo brasileiro financiar uma obra que pode prejudicar a economia nacional, trata-se de um certeiro tiro no pé. Para não ser ameaçado – pelo Uruguai ou qualquer outro projeto de porto – o Brasil precisa investir pesado na própria infraestrutura.
Fonte: Dagmara Spautz/ Guarda-Sol
Compartilhe este post