Blumenau, 25.1.16 – O prefeito de Blumenau, Napoleão Bernandes, rompeu no fim de semana o contrato com o Siga, consórcio que administra o transporte coletivo na cidade desde 2007. Os usuários sofrem há mais de um mês com paralisações no serviço. Com o rompimento do contrato, o município ficará pelo menos sete dias sem ônibus.
Segundo decreto, o Siga teria descumprido normas contratuais. Na outra ponta, as empresas que fazem parte do consórcio, Nossa Senhora da Glória, Rodovel e Verde Vale – impedidas de firmar novos contratos com o município –, entraram em consenso e decidiram que o rompimento do contrato, válido por até 20 anos, só será aceito mediante indenização e que vão recorrer judicialmente da decisão. A defesa, conforme o advogado Antônio Carlos Marchiori, seguirá a linha de que o problema poderia ter sido evitado caso o sistema tivesse sido remunerado corretamente desde o início.
– O descumprimento do contrato foi da prefeitura – justificou Marchiori, antes de ressaltar que não teve acesso ao relatório assinado pela Comissão Especial, documento usado para fundamentar a decisão do prefeito.
Antes mesmo que os primeiros relatos sobre o fim do Siga chegassem ao conhecimento da população por meio das redes sociais, os ônibus já tinham parado de circular em Blumenau ontem. Orientados pelo sindicato da categoria, o Sindetranscol, motoristas prestes a encerrar o primeiro turno de atividades seguiram de volta para as garagens das empresas quando o relógio marcou meiodia. No decreto de Bernardes, entretanto, os itinerários deveriam ser cumpridos até a meia-noite.
– Paralisamos o sistema. Ninguém mais iria receber a partir daquele momento, pra que continuar trabalhando, não é mesmo? – questionou o assessor jurídico do Sindetranscol, Léo Bittencourt.
Com a situação de emergência também decretada, a promessa da prefeitura é de que o cenário mude ainda nesta semana com o funcionamento do transporte alternativo. O credenciamento de vans e ônibus, que será oficialmente aberto hoje, é a aposta do Executivo para amenizar o caos no sistema, utilizado por cerca de 125 mil pessoas, até que a nova empresa assuma emergencialmente o transporte na cidade.
A prefeitura adiantou que cerca de 200 ônibus devem operar em Blumenau a partir de 1o de fevereiro. Com uma frota superior aos 160 ônibus que transportavam os passageiros até então, a empresa, cujo nome não foi divulgado, deve, além de recontratar parte dos motoristas e cobradores do sistema, manter a tarifa em R$ 3,65. O sistema emergencial deve operar até que uma nova licitação seja lançada, o que, segundo Bernardes, deve ocorrer em no máximo seis meses.
Entenda o caso
15 de dezembro
– Trabalhadores do transporte coletivo anunciam, durante o dia, a paralisação do serviço por conta do atraso no pagamento do 13o salário, mas voltam atrás no início da noite.
17 de dezembro
– Sob constantes ameaças de greve, a prefeitura notifica o Consórcio Siga e as empresas Nossa Senhora da Glória, Rodovel e Verde Vale e estipula prazo até 4 de janeiro para que elas apresentem um plano de melhorias e provem que têm condições de operar o serviço. A partir dessa data, o poder público vai avaliar as informações para decidir se mantém ou rompe o contrato de concessão.
18 de dezembro
– Funcionários das três empresas anunciam a oitava paralisação do sistema no ano, dessa vez total. A cidade fica sem ônibus no sábado, dia 19. No domingo, 20, apenas alguns veículos da Rodovel voltam a circular após funcionários aceitarem proposta de parcelamento do 13o salário.
21 de dezembro
– Prefeitura anuncia que vai à Justiça para tentar garantir ônibus nas ruas da cidade. A alegação é de que o sindicato não estaria respeitando a Lei Geral de Greve, que prevê manutenção de pelo menos 30% de serviços considerados essenciais à população. Em outra frente, o poder público defende que vai notificar consórcio e empresas, via Procon municipal, por entender que elas estariam ferindo o direito de ir e vir dos usuários. No mesmo dia, trabalhadores da Glória e da Verde Vale rejeitam proposta de parcelamento do 13o salário e saem em passeata de protesto pelas ruas do Centro de Blumenau.
23 de dezembro
– Poder público decreta estado de emergência no transporte público e lança edital, que dispensa necessidade de licitação, para contratação de empresas e pessoas físicas interessadas em operar o serviço em caráter emergencial e temporário. Nova assembleia dos trabalhadores termina sem avanços e funcionários da Glória e da Verde Vale seguem de braços cruzados. Apenas alguns motoristas da Rodovel continuam operando poucas linhas.
25 de dezembro
– Três ônibus da Glória são apedrejados na saída da garagem da empresa. Segundo a companhia, alguns funcionários teriam decidido voltar a trabalhar. No fim, os ônibus da empresa acabaram não circulando. Ainda não se sabe quem estaria por trás dos ataques.
28 de dezembro
– Justiça reconsidera decisão e aumenta de 30% para 50% bloqueio nas contas do Consórcio Siga. Valor congelado, de R$ 2,5 milhões, deve ser usado para quitar os salários dos trabalhadores referentes ao mês de dezembro. Medida, no entanto, não cita o pagamento do 13o, pivô da atual paralisação.
30 de dezembro
– Liminar assinada pelo juiz de plantão da 4a Vara do Trabalho de Blumenau, Silvio Ricardo Barchechen, deu fim à greve de 13 dias do transporte coletivo de Blumenau. A decisão do magistrado determina o bloqueio de 100% dos recursos depositados nas contas do Consórcio Siga para pagamento do 13o, bem como o vale-alimentação e o salário referente a dezembro/ janeiro.
4 de janeiro
– Siga e empresas cumprem notificação da prefeitura de Blumenau, mas pedem prazo para juntar documentos. A resposta do consórcio faz duras críticas à prefeitura. No documento, de 46 páginas, o Siga alega que o colapso financeiro do sistema seria fruto de omissão do poder público, que não teria cumprido sua “obrigação de manter o equilíbrio econômico” do contrato de concessão.
7 de janeiro
– Justiça libera recurso para pagar vale-alimentação dos funcionários do transporte coletivo de Blumenau. Para quitar o benefício – atrasado desde o dia 2 de janeiro –, serão usados cerca de R$ 770 mil, dinheiro que está bloqueado na conta do Consórcio Siga.
20 de janeiro
– Parte do salário dos trabalhadores do transporte coletivo de Blumenau é paga. Os R$ 369 que cada funcionário receberá serão descontados dos cerca de R$ 498 mil que estão na conta do Consórcio Siga, bloqueada pela Justiça do Trabalho. O valor liberado, que representa 17% do piso de cada motorista e 28% do piso dos cobradores, hoje em R$ 2.208 e R$ 1.293, respectivamente, quita parte dos salários que deveriam ter sido pagos até 7 de janeiro.
23 de janeiro
– O prefeito Napoleão Bernardes colocou um ponto final no contrato com o Siga. Ele alegou o descumprimento da concessão para justificar a decisão. O prefeito também decretou situação de emergência. Assim, poderá contratar novas empresas provisoriamente sem licitação. A expectativa é que em no máximo sete dias uma nova empresa comece a operar no município.
Empresários estudam alternativas – Sem ônibus por pelo menos uma semana, empresários e lojistas de Blumenau ainda avaliam como garantir as viagens de ida ao trabalho e volta para casa dos funcionários. Representantes dos setores, que já sofreram com a suspensão do serviço durante a greve de 13 dias em dezembro, entendem que era insustentável tentar manter o sistema da maneira que estava, mas lamentam que a comunidade volte a sofrer para se deslocar.
Presidente Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Blumenau, Hélio Roberto Roncaglio lembra que no fim do ano alguns lojistas agendaram corridas de táxi para os funcionários e, assim, conseguiram garantir o funcionamento dos estabelecimentos. Já outros optaram por contratar motoristas particulares e até, dependendo do número de colaboradores, fretaram vans.
– Foi uma saída, mas isso gerou um alto custo para os empresários, que já tinham pago o vale-transporte daquele mês. Sem contar que é um transtorno para os próprios trabalhadores, que acabam tendo que adaptar os horários por conta das caronas – conta Roncaglio.
Roncaglio, que reconheceu como positiva a iniciativa do poder público, adianta que uma reunião entre representantes de entidades locais e governo deve ocorrer hoje, às 14h, na prefeitura, para discutir e alinhar como devem agir as empresas que já pagaram o vale-transporte deste mês.
Também favorável à decisão do prefeito Napoleão Bernardes, o vice-presidente da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Avelino Lombardi, defende que a vontade das partes não pode prevalecer sobre a comunidade trabalhadora e estudantil, como vinha acontecendo. Para ele, a incerteza que pairava sobre o município com as constantes paralisações do transporte atinge não só as empresas, mas a população.
– Esperamos que dessa decisão venha um serviço mais qualificado e que trabalhadores e estudantes não sejam mais prejudicados, como foi até agora – diz.
Sem um plano de ação traçado com os associados para garantir o funcionamento de empresas e lojas durante a semana, Lombardi revela que, desde dezembro, empresários relatavam a dificuldade de manter a produção e cumprir prazos com clientes. Representantes do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex) também foram procurados para comentar o assunto, mas até o fechamento da edição ninguém retornou as ligações.
Corridas de táxi devem ser solicitadas com antecedência – Como ocorreu durante a greve em dezembro, nesta semana, com a ausência total dos ônibus em Blumenau, as corridas de táxi devem se tornar uma das alternativas para os usuários do transporte coletivo. Segundo Claudio Koch, presidente da Coopertáxi, cooperativa que mantém o rádio- táxi em Blumenau, a procura pelo serviço deve crescer nesta semana para os 184 veículos que atendem Blumenau.
Em dezembro, a cooperativa calculou 8 mil corridas a mais no mês na comparação com 2014. Foram 27 mil viagens.
Outra opção é a carona solidária. A prática, citada pela própria prefeitura como alternativa nesse período, ganhou força através das redes sociais durante o fim de semana.
Sistema emergencial deve garantir emprego de funcionários – Com o 13o salário atrasado desde dezembro e com menos da metade dos vencimentos de janeiro em mãos, os cerca de 1,3 mil funcionários que operavam no transporte coletivo de Blumenau foram automaticamente demitidos das empresas onde trabalhavam após o prefeito Napoleão Bernardes decretar, na manhã de sábado, a caducidade do contrato de concessão com o Consórcio Siga. Entretanto, a angústia dos usuários deve acabar em breve. O Executivo garante que grande parte da mão de obra dispensada será reaproveitada pela empresa que irá operar emergencialmente o transporte coletivo no município a partir de 1º de fevereiro.
O tempo em que a população ficará sem ônibus foi, inclusive, usado como justificativa pela prefeitura para dar conta do processo legal de demissão e recontratação dos trabalhadores. Segundo a assessoria de comunicação, o aproveitamento dos funcionários é uma das exigências que o prefeito fez às empresas interessadas em assumir o serviço. Ainda segundo o poder público, o requisito foi prontamente aceito pelas interessadas, que entendem que manter os funcionário tornará a transição mais simples, uma vez que esses trabalhadores conhecem os itinerários.
Para Ari Germer, presidente do sindicato da categoria, o Sindetranscol, é de extrema importância que o poder público mantenha o compromisso firmado e assegure as vagas dos trabalhadores.
Preocupados em como será o processo de desligamento, os funcionários que até então operavam nas empresas Glória, Rodovel e Verde Vale vão se reunir hoje à tarde no Terminal da Fonte. Marcada para 15h, a assembleia vai tratar dos encaminhamentos legais do processo.
Como fica o serviço
O usuário vai perder o crédito que possui no Cartão Siga?
Não. Segundo a prefeitura de Blumenau a decisão de como isso será reembolsado vai depender da nova empresa, mas não se desfaça do cartão pois de alguma maneira você será ressarcido.
Como a população vai se deslocar em Blumenau sem ônibus?
Enquanto não há definição a respeito do transporte alternativo, a indicação do poder público é de que a população busque alternativas como a carona solidária ou o uso de táxis.
Quando Blumenau terá transporte alternativo?
O chamamento público do transporte alternativo será feito hoje pela prefeitura de Blumenau. Depois disto, os veículos cadastrados e fiscalizados pelo Seterb poderão atender à população durante o período em que a cidade ficará sem o transporte coletivo.
Qual será o valor do transporte alternativo?
Não há valor definido, pois é preciso aguardar o resultado do chamamento que ocorre hoje para que as empresas informem o valor das viagens.
Até quando Blumenau vai ficar sem ônibus?
Como a administração municipal declarou situação de emergência no sistema público de transporte coletivo urbano fica permitido ao município fazer a contratação com dispensa de licitação para manter o serviço na cidade. A previsão inicial é de que uma nova empresa comece a atuar no dia 1º de fevereiro.
Os corredores de ônibus permanecem liberados?
Sim. Os corredores de ônibus liberados para os veículos menores, com exceção o da Rua Dois de Setembro, que é no contrafluxo da via, seguem livres até que a nova empresa assuma emergencialmente o serviço na cidade. (Fonte: Diário Catarinense – Larissa Neumann/Osiris Reis/Pamyle Brugnago)
A terceira via se anima
O cenário prévio indica que o eleitor terá cardápio mais farto de candidatos a presidente em 2018. Se o país dá sinais de cansaço da dicotomia PT-PSDB, vivida desde 1994, a turma da terceira via renova o ânimo. Na próxima eleição, o PT buscará o quinto mandato com ou sem Lula. Os tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra tentarão refazer o ninho no Planalto. Marina Silva é o nome da Rede, o PDT lançou Ciro Gomes e o PMDB jura que terá candidatura própria via Michel Temer, Eduardo Paes ou atraindo Serra. O PSB quer se apresentar outra vez, assim como o PSOL. As intenções postas com três anos de antecedência confirmam que o governo Dilma Rousseff está fraco e que o PSDB não catalisa todos os sentimentos antagônicos ao PT. Para oxigenação da política, é saudável o surgimento de candidatos viáveis em outras siglas. O cenário com quatro ou cinco presidenciáveis de maior envergadura traz à memória 1989. Na primeira peleja com voto direto depois da ditadura militar, o Brasil teve 22 postulantes ao Planalto. Venceu Fernando Collor, o caçador de marajás, mais tarde afastado. Ficou a lição. Para 2018, a história ensina a não embarcar na canoa mais vistosa. Que venha um debate arejado e menos bélico. E que as aventuras fiquem nas páginas amareladas da história.
Novo rumo – Com a desistência de Leonardo Quintão (MG) de tentar a liderança do PMDB na Câmara, a bancada catarinense tende a se aproximar de Hugo Motta (PB), já que é refratária a Leonardo Picciani (RJ) – exceto Celso Maldaner. Está em discussão a construção de uma terceira via. O vencedor indicará os oito nomes do PMDB na comissão do impeachment.
Juntinhos – Na reunião do diretório nacional do PDT, a presidente Dilma Rousseff rasgou elogios ao ex-ministro Manoel Dias (PDT-SC). A lealdade do catarinense à petista foi recompensada com a presidência da CorreiosPar, subsidiária dos Correios.
Voo – Quem acompanha a Secretaria de Aviação Civil torce pela demora na escolha do novo ministro. Técnico, o interino Guilherme Ramalho toca as concessões dos aeroportos, que incluem Florianópolis. O receio é de que um político atrase os cronogramas.
A primeira trégua é com a base – A presidente Dilma Rousseff busca uma trégua com a oposição para tentar desatolar o país da recessão e aprovar sua agenda no Congresso. Clama à responsabilidade de seus rivais com o Brasil. Interesses eleitorais dificultam acordos para temas como a reforma da Previdência. O governo considera vital a volta da CPMF. A oposição (PSDB, DEM, SD e PPS) discorda, junto com parcela da base. Dificilmente mudará de opinião. Pesa nas tratativas o histórico do PT. O partido tem fama no Congresso de não cumprir acordos, é conhecido por pisar nos rivais. Logo, há o receio de que, passando projetos impopulares, a sigla colocará a conta no colo da oposição e dos aliados. Houve essa tentativa no ajuste fiscal, que será repetida em ano eleitoral, com deputados e senadores petistas jogando para a torcida. Neste contexto, qual parlamentar tucano comprará o desgaste da CPMF se o partido da presidente tira o corpo fora? A trégua do governo com a oposição será apenas uma intenção se o PT e a base não abraçarem as medidas amargas primeiro.
Parla – O Planalto reforçou o pedido para que os ministros falem mais, badalem as realizações de suas pastas e reforcem o discurso contra o impeachment. Todas as vezes que o governo tentou tal estratégia os ministros seguiram tímidos. Pesa o temor de falar algo que desagrade a presidente Dilma.
Escolhas – A presidente Dilma recebeu um alerta sobre o programa de aviação regional: se contingenciar demais o bilionário fundo nacional de aviação civil, o plano continuará no Power Point. A petista terá de escolher entre o superávit e o investimento em infraestrutura.
R$ 941 milhões – Foi o valor gasto pela União – a soma dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – em 2015 com diárias para funcionários públicos, conforme o portal Contas Abertas. Houve uma redução de 30%. (Fonte: Diário Catarinense – Guilherme Mazui)
Iluminação
A polêmica sobre responsabilidades pela iluminação da ponte Anita Garibaldi, em Laguna, está próxima de ser resolvida. A diretoria da Eletrosul deve aprovar este mês convênio com a prefeitura de Laguna para instalar um sistema de energia solar e garantir a iluminação da ponte. Decisão tomada entre o presidente Djalma Berger e o prefeito Everaldo dos Santos.
Aérea – Uma boa notícia para a população do Alto Uruguai. A prefeitura de Concórdia comunicou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que o aeroporto local está em condições de operar. Os serviços estavam comprometido pelos problemas na sinalização e no balizamento noturno. Concórdia sofreu um retrocesso. Décadas atrás, tinha ligação com São Paulo e Rio pelos aviões da Sadia Transportes Aéreos.
Sem transporte – Depois de penar durante semanas com greves sucessivas no transporte coletivo, a população de Blumenau vive drama maior: não tem mais o sistema funcionando desde o fim de semana. O prefeito Napoleão Bernardes (PSDB) rescindiu o contrato com o Consórcio Siga. O centro de Blumenau ficou praticamente vazio durante todo o domingo.
Expectativa – O prefeito está disparando a chamada “bala de prata”. No setor, é a última para se recuperar do profundo desgaste com a crise no transporte coletivo antes das eleições. Há informações de que já tem articulada uma contratação emergencial com a vinda ao Vale de 250 novos ônibus. Se a rescisão funcionar, ganha fôlego. Caso contrário, pode queimar a reeleição.
Imbituba – Retroárea do porto de Imbituba, no Sul catarinense, recebeu uma forte expansão com a construção de vários armazéns, com mais de 25 mil metros quadrados pela Sul Norte Logística. Atua na área de exportação. O porto vem se modernizando e ampliando atividades. Para melhorar o desempenho, contudo, depende de duplicação de um trecho de cinco quilômetros para ligação com a BR-101. (Fonte: Diário Catarinense – Moacir Pereira)
Contra o imposto
O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem) lançou na sexta-feira posição que repudia a intenção do governo federal de instituir a Contribuição Social para a Saúde (CSS), nos moldes da extinta CPMF.
Investimento estrangeiro no brasil tem previsão de queda – O tempo de capital farto no mercado parece ter ficado para trás pelo menos por enquanto. Ainda esses dias lembrava do clima de euforia que imperava no mercado entre 2010 e 2012. Para os empreendedores com uma boa ideia de negócio na cabeça bastava ter uma apresentação consistente para convencer um fundo de capital gringo a colocar dinheiro e viabilizar uma startup.
Com as previsões pouco otimistas para a economia brasileira e a perda do grau de investimento por duas agências internacionais, a leitura na cena internacional não é boa – o que afugenta ainda mais os investidores capitalistas da área. O Instituto Internacional de Finanças (IIF) prevê queda dos fluxos internacionais privados de capital para o Brasil em 2016. Você pode dizer que não há grande novidade nisso, mas o fato é que a entrada desse dinheiro no país vai continuar em queda mesmo depois da forte redução já observada em 2015. A instituição é formada pelos maiores bancos do mundo e o relatório foi divulgado na semana passada.
A estimativa preliminar do IIF é que as entradas de capital no Brasil tenham caído quase pela metade em 2015, para US$ 108 bilhões, em meio a uma forte recessão, profunda crise política, fracasso em ajustar as contas públicas e um cenário externo crescentemente adverso.
Em 2014, os fluxos ficaram em cerca de US$ 192 bilhões, considerando investimento externo direto, aportes em ações e renda fixa e outros investimentos, segundo o relatório. Para este ano, os fluxos devem ter nova queda, diz o IIF, e ficar ao redor de US$ 96 bilhões.
A elevação de juros pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) ao longo do ano, as incertezas sobre os rumos do crescimento da China, a queda dos preços das commodities e a baixa expectativa de novos avanços no ajuste fiscal no Brasil devem contribuir para que o investidor estrangeiro redobre a cautela com o país, escrevem os economistas do IIF.
Outro fator que deve pesar nos fluxos externos de capital para o Brasil, de acordo com o IIF, é a demanda menor por recursos externos por companhias brasileiras, por conta de condições menos favoráveis para captações no mercado internacional de capital. Junto com o Brasil, África do Sul e Turquia são citados pelo IIF como os três emergentes mais vulneráveis ao atual cenário econômico. (Fonte: Diário Catarinense – Estela Benetti/Julia Pitthan)
Transporte público
É grande a expectativa para a coletiva de imprensa que o prefeito Napoleão Bernardes (PSDB) convocou, de última hora, para a manhã deste sábado. Ele vai emitir seu parecer a respeito de um relatório feito por uma comissão especial criada pela prefeitura. O grupo analisou documentos e dados colhidos pelo poder público durante a intervenção no Consórcio Siga e na Glória, além da defesa das três empresas – Rodovel e Verde Vale também inclusas – para manter a atual contratação de concessão do serviço de transporte coletivo. Trata-se a última etapa do que Napoleão tem reiterado ser o processo administrativo legal que vai apontar se vale a pena ou não manter o acordo. Ontem à noite, representantes do alto escalão do Executivo se debruçavam sobre o documento, que tem 70 páginas. O fim da novela parece estar cada vez mais próximo.
Começou a esquentar – O discurso de Napoleão Bernardes (PSDB) durante o anúncio do rompimento do contrato de concessão do Consórcio Siga, em coletiva de imprensa na manhã de sábado, teve um viés político que, somado à disposição do prefeito em colocar um ponto final na vergonhosa situação do transporte coletivo de Blumenau, certamente impactará nas eleições de outubro.
O tucano deu um recado aos que chamou de “demagogos de plantão”. Disse que não agiria para conquistar “aplauso fácil” ao ressaltar que o tema era complexo e exigia o cumprimento de etapas legais e administrativas antes que qualquer atitude mais drástica fosse tomada. Não citou nomes, claro, mas se referia a membros da oposição.
Em dado momento, Napoleão reiterou que o contrato com o Siga foi assinado na gestão passada, não por ele. Houve quem entendeu como uma alfinetada ao PSD, partido que governou a cidade antes do tucano e que ainda avalia quem enviará para a disputa majoritária.
Tão logo a quebra de contrato com o Siga se tornou pública o assunto ganhou as redes sociais, uns elogiando o prefeito pela decisão e outros o criticando por considerarem a medida tardia e eleitoreira. A corrida para a prefeitura definitivamente começou a esquentar. (Fonte: Diário Catarinense – Pedro Machado)
Obras em atraso nos portos
Representantes dos portos de Itajaí e Navegantes, acompanhados dos presidentes das associações empresariais das duas cidades, reuniram-se esta semana com o secretário de Estado de Infraestrutura, João Carlos Ecker, para tratar das obras da nova bacia de evolução. A empreitada de mais de R$ 100 milhões recebeu a licença ambiental de instalação em dezembro, mas ainda depende da contratação de uma empresa pelo Estado para fiscalizar o andamento da empreitada.
O processo licitatório está em fase de habilitação. Nove empresas se candidataram para o serviço e estão sendo avaliadas pelos técnicos. Ainda falta apresentação e análise de propostas. A nova bacia permitirá a entrada de navios maiores e mais carregados nos portos de Itajaí e Navegantes – essencial para manter a competitividade dos terminais frente à preferência dos armadores por embarcações cada vez maiores, que têm melhor custo-benefício de operação.
Prejuízo – A obra está mais do que atrasada. Quando anunciada, em 2013, a previsão era que a primeira etapa estivesse pronta até meados do ano seguinte, sob pena de um prejuízo estimado em R$ 60 milhões por mês. As perdas só não se confirmaram porque a retração no comércio exterior atrasou a migração de navios maiores para a América do Sul. (Fonte: Diário Catarinense – Dagmara Spautz)
O custo da incerteza
A manutenção da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto o mercado apostava em elevação, deixou o Banco Central vulnerável diante das desconfianças de que se tornou vítima de ingerências políticas nesse tipo de decisão. Uma das consequências imediatas foi a elevação das taxas de retorno dos títulos da dívida do governo, que servem como referência para a inflação proj
tada pelo mercado. Simultaneamente, o acumulado em 12 meses do IPCA-15 acelerou em janeiro, atingindo 10,74%. Fica evidente, assim, que esse custo será arcado principalmente pelo consumidor com menos alternativas para proteger seu dinheiro dos efeitos corrosivos da inflação elevada, o que é inaceitável.
Não é justo que, mais uma vez, os brasileiros de menor renda venham a arcar com o custo da falta de habilidade de quem não se mostrou capaz de manter a economia estável e em crescimento. Só na semana que chega ao fim, houve uma reação inicial do dólar e o Ministério do Trabalho anunciou a perda de 1,5 milhão de empregos com carteira assinada em 2015. Por isso, os equívocos precisam ser corrigidos, e logo, para impedir que esses prejuízos tenham continuidade.
Entre as alternativas para enfrentar a crise, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, avalia medidas para ampliação do crédito, incluindo o uso de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ainda assim, dificilmente haverá uma reativação do consumo e dos investimentos enquanto persistirem tantas indefinições sobre o futuro da economia. (Fonte: Diário Catarinense – Editorial)


