Florianópolis, 1.6.16 – Com a greve do transporte coletivo na região da Grande Florianópolis, os 280 mil usuários de ônibus tiveram que buscar alternativas para se locomover ontem. Esse malabarismo para driblar a falta de transporte vai se estender por hoje. Duas reuniões e uma assembleia ocorreram ontem para tentar encerrar a paralisação, mas não tiveram resultado positivo.
Nos terminais de integração de Florianópolis havia poucos trabalhadores. Nos pontos de ônibus, as pessoas aguardavam as vans disponibilizadas pela prefeitura de Florianópolis. No Ticen, o movimento de passageiros era pequeno por volta das 6h.
– Trabalhei das 22h às 6h no Centro, agora estou esperando chegar uma van para ir para casa, no norte da Ilha – contou Hadder Fernandes.
O vigilante Rodrigo Vieira Emboava estava na mesma situação:
– Saí do trabalho às 7h, agora estou tentando contato com a empresa para ver se eles têm um carro para me dar carona. Acho que os trabalhadores podem reivindicar seus direitos, mas não acho certo prejudicar toda a população – comentou.
A prefeitura de Florianópolis havia anunciado que o sistema de vans como transporte alternativo começaria a funcionar às 5h30min, porém, somente por volta das 6h30min os primeiros veículos e fiscais da prefeitura chegaram ao Ticen. Os usuários reclamaram da falta de organização:
– Estou há mais de uma hora esperando para ir para a Barra da Lagoa. As vans que param aqui só vão até a Lagoa – reclamou um senhor enquanto esperava na passarela do Rita Maria.
Fiscalização contra abuso – O Departamento de Transportes e Terminais de Santa Catarina (Deter) publicou um comunicado autorizando o serviço emergencial de vans e ônibus, mas proibiu que os veículos que realizarem o serviço, em linhas intermunicipais, cobrem mais de R$ 7 por passagem. Houve relatos de motoristas que cobravam até R$ 10.
A orientação para os passageiros que observarem preços superiores é para que entrem em contato com a ouvidoria da prefeitura pelo site: www.pmf.sc.gov.br/ouvidoria/
Opções de transporte – A prefeitura de Florianópolis disponibiliza vans. Os municípios vizinhos não organizaram opções de transporte para os usuários.
Vans
– Em Florianópolis, a partir das 5h30min, os veículos sairão do Centro em direção aos bairros. A tarifa terá dois valores: R$ 6 para linhas curtas e R$ 7,75 para as longas. Apesar da alternativa, a prefeitura informou que a disponibilidade dos veículos é uma medida emergencial, “não sendo possível suprir a demanda diária de usuários, cerca de 280 mil”.
– Saiba em qual lugar pegar:
– Ponto Continente – Recuo Terminal Rita Maria (R$ 6)
– Ponto Sul da Ilha – em frente ao Camelódromo Cidade de Florianópolis (até o Trevo da Seta o valor é R$ 6, após é R$ 7,75)
– Ponto Norte da Ilha – em frente ao Camelódromo do Ticen (até o Tisan é R$ 6, após, o custo é de R$ 7,75)
– Ponto Leste da Ilha e Centro – embaixo da passarela do Terminal Rita Maria, saída Beira- Norte (até início do Morro da Lagoa é R$ 6, após é R$ 7,75)
Terminal Rita Maria
– É mais caro, mas não vai parar. Os ônibus de viagens mais longas, que circulam na região da Grande Florianópolis podem ser a última opção para quem reside às margens da BR-101 e principais ruas e avenidas da Grande Florianópolis. Alguns ônibus da empresa Paulotur passam pela Avenida Beira- Mar de São José e na BR-101. Se o usuário morar próximo à Av. Presidente Kennedy, por exemplo, haverá uma opção de horário reduzido. O valor é superior ao do transporte coletivo que parte do Ticen, mas inferior ao da bandeira do táxi.
Carona Solidária
– No Facebook, o Grupo Carona Floripa ganha mais seguidores. integrantes oferecem e recebem caronas para qualquer lugar próximo da Capital.
Táxi
– Com o aplicativo Easy Taxi o usuário pode solicitar um veículo. O preço para iniciar a corrida na Grande Florianópolis é de R$ 4,60. A bandeira 1 é taxada em R$ 2,45 e R$ 2,90 bandeira 2. O Sindicato dos Taxistas informou que se o trabalhador do táxi desrespeitar os valores da tabela, ou se recusar a ligar o taxímetro na tentativa de “fechar uma corrida por valor especificado” poderá perder a licença. Para denunciar é necessário ligar (48) 3324-1517.
Pedido de frota mínima e multa de R$ 100 mil por dia – O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT- SC) ajuizou na tarde de ontem uma ação pedindo frota mínima para atender a população durante a greve, além de multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento. A ação é contra Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb), Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município de Florianópolis (Setuf), Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Santa Catarina (Setpesc) e prefeitura de Florianópolis.
Para assegurar os serviços indispensáveis de transporte coletivo, a medida determina a manutenção da frota em funcionamento e de número suficiente de trabalhadores em seus postos, em percentual, por linha de transporte, não inferior a 50% em todos os horários, e não inferior a 70% nos horários de pico (entre 5h30min e 8h e das 17h30min às 20h).
Mais cedo, o dirigente sindical do Sintraturb Deonísio Linder informou que o sindicato está disposto a voltar ao trabalho com 100% da frota, mas com as catracas liberadas e passagens de graça, “para não prejudicar a população”.
– Tenho a impressão que vai ser a mais longa greve que tivemos. A gente pode trabalhar com as catracas livres, mas aposto que o patronal não vai querer. Por isso a greve vai continuar – afirmou. (Fonte: Diário Catarinense)
Crônica de uma greve anunciada
Tão certo quanto a Páscoa, 1o de Maio e o Corpus Christi no primeiro semestre de cada ano, também poderia ser incluído no calendário oficial de Florianópolis um novo feriado municipal.
A data até poderia variar como o Carnaval, mas seria obrigatória no dia escolhido para a tradicional greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo. Assim as pessoas ficariam em casa para descansar, evitando todos os transtornos causados a cada paralisação que se repete ano após ano.
Com pequenas variações na pauta de reivindicações, por causa dos índices de inflação, é sempre a mesma coisa. Os trabalhadores pedem um pátio com local apropriado para que possam descansar e fazer um lanche durante os intervalos, além de ganho real. As empresas dizem que não têm como pagar e chega-se a um acordo mínimo para as melhorias das condições de trabalho diante da Justiça, que também estipula frota mínima e fixa multa para o não cumprimento.
A novela se repete há anos. O senador Dário Berger se elegeu prefeito de Florianópolis prometendo abrir a caixa-preta do transporte coletivo. Pergunta se ele conseguiu. Depois até fizeram uma licitação vencida pelo consórcio Fênix, formado pelas mesmas empresas que sempre operaram os ônibus na Grande Florianópolis. Aliás, há anos os empresários também reclamam que o negócio não é lucrativo, mas largar o osso ninguém quer.
Para se ter ideia da repetição do roteiro, até os representantes do Sintraturb (trabalhadores) e do Setuf (empresas) são sempre os mesmos. Deonísio Linder fala pelos motoristas e cobradores, e Waldir Gomes em nome dos empresários.
Passam-se 24h e todo mundo aceita a greve, afinal até a população está acostumada. No segundo dia de paralisação, o descontentamento com a falta de transporte coletivo começa a ganhar mais força. Até que no máximo 72 horas depois tudo está normalizado. Aí costuma vir um aumento de tarifa e depois é só esperar nova greve em 2017. De preferência com feriado! (Fonte: Diário Catarinense – Rafael Martini)
Renovação com a Infraero
O contrato da Infraero para administrar o aeroporto Diomício Freitas, de Forquilhinha, venceu ontem, mas o prazo será prorrogado segundo o prefeito da cidade, Vanderlei Alexandre (PP), após reunião em Brasília. A proposta do governo do Estado é a redução do repasse, que hoje é de R$ 1,2 milhão. A ideia será analisada, mas não deve ter impeditivos, acredita o prefeito.
Paralisação – Mais de 130 trabalhadores das empresas que transportam valores estão em greve no Sul do Estado. A paralisação é estadual e começou na segunda-feira. Hoje tem negociação no Tribunal Regional do Trabalho, em Florianópolis. Por enquanto não há problemas relacionados à falta de dinheiro nos caixas eletrônicos da região.
Luto oficial – A morte do ex-prefeito de Criciúma e ex-deputado estadual, Algemiro Manique Barreto, aos 86 anos, reforçou a importância da liderança dele para o desenvolvimento da cidade. Ele permanece entre os nome de destaque com um legado que inclui obras como a implantação da avenida Centenário, a construção da rodoviária da cidade, além de forte atuação nas causas sociais, com trabalho desenvolvido no bairro da Juventude. A prefeitura de Criciúma decretou luto oficial de três dias. (Fonte: Diário Catarinense – Ricardo Dias)
A greve e a omissão do congresso
Deplorável, sob todos os títulos, esta nova greve do sistema de transporte coletivo de Florianópolis e da região metropolitana. Prejuízos incalculáveis para milhares de cidadãos que, com consultas marcadas, com compromissos inadiáveis, exames intransferíveis e encargos urgentes, foram atingidos por mais uma abusiva paralisação. Os trabalhadores voltam a transformar os usuários – a esmagadora maioria da população – em reféns de suas reivindicações. Podem até ser justas, mas exigir neste momento 5% de aumento salarial acima dos índices inflacionários é total falta de bom senso. É apostar no caos. O Brasil, todos sabem, vive uma gravíssima crise econômica. Quem garantir hoje o emprego e o reajuste pelos índices da inflação já é mais que um sobrevivente.
Imaginem-se os milhares de microempresários, do pequeno comércio, o profissional liberal ou prestador de serviço. Terão de, religiosamente, pagar os salários de seus empregados até segunda-feira. Já tiveram queda de receita pela crise e, agora, com a situação agravada pela suspensão das vendas. E também pela redução nas receitas públicas.
Desgraça mesmo é constatar que a cabeça da cobra está em Brasília. A responsabilidade maior é deste Congresso omisso que, envolvido em falcatruas, manobras políticas e escândalos de corrupção, não regulamentou até hoje o direito de greve nos serviços públicos.
Já se passaram quase 28 anos e não se tem notícia da uma lei indispensável para fixar limites e impedir essas greves abusivas que ferem direitos da maioria e só trazem prejuízos irreparáveis a toda a população.
Perdas – Prefeito Márcio Búrigo decretou luto oficial por três dias em Criciúma pelo falecimento do ex-vereador, ex-prefeito e ex-deputado Algemiro Manique Barreto. Realizou gestão inovadora entre 1973 e 1977. Em Florianópolis, profundo pesar no mundo católico pela morte do padre José Edgard de Oliveira, de atuação marcante na Juventude Universitária Católica e no escotismo. Irrequieto e inovador, será sepultado hoje às 15h em São João Batista. (Fonte: Diário Catarinense – Moacir Pereira)
Fiesc alerta sobre tarifas e UE cobra compras públicas
A defesa de interesses comerciais de ambas as partes marcou o encontro dos 19 embaixadores da União Europeia (UE) na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), ontem. O presidente da federação, Glauco José Côrte, alertou sobre as altas tarifas de importação praticadas pela Europa para produtos brasileiros e sugeriu aos diplomatas recomendar mais investimentos dos seus países no Estado. O chefe da delegação da União Europeia, João Gomes Cravinho, por sua vez, afirmou que os países europeus gostariam de uma legislação mais transparente e igualitária para as compras públicas para empresas estrangeiras. Segundo ele, isso favoreceria a livre concorrência e o interesse público. Este tema é um dos que estão sendo negociados no acordo Mercosul-União Europeia que deve ser concluído no final do ano que vem.
Ao falar para os embaixadores, Côrte observou que a União Europeia pratica tarifas de importação baixas, uma média de 4,8%. Mas para o Brasil, muitas são mais caras do que para outros países. Carne bovina processada do país, por exemplo, tem taxação de 17%; madeiras e itens plásticos, 7% enquanto a outros países é 6,5%. A contrapartida também é verdadeira. Em média, o Brasil cobra quase 12% para a entrada de produtos europeus. Os carros pagam 35%. Como a Europa é o maior investidor externo no Brasil, a Fiesc pediu mais atenção a SC. Hoje, a maior parte dos recursos vai para SP, RJ e RS. SC está em 10º lugar. Corte disse que o Estado quer reverter essa situação. Para o secretário de Articulação Internacional, Carlos Virmond, o evento em SC permitiu uma aproximação maior com os representantes da UE. Na foto abaixo, a partir da esquerda, a embaixadora da Romênia Diana Radu, Virmond, Côrte e Cravinho
Para aviões – O embaixador da Suécia, Per-Arne Hjelmborn, informou que pesquisadores e empresas da área de alta tecnologia metalmecânica podem ser parceiros no projeto dos aviões caças em que a empresa sueca Saab está fornecendo para a Força Aérea Brasileira (FAB). O presidente da Fapesc, Sergio Gargioni, pode colaborar nessa aproximação.
Da Alemanha – No momento, investidores alemães estão observando os cenários, disse o embaixador do país, Dirk Brengelmann. Segundo ele, as essas empresas não observam só o mercado brasileiro, mas também a América Latina, exportações e importações. Há setores que sofrem mais no país, como o automotivo. Outros grupos, com a Bayer e a Basf, estão com resultados melhores. (Fonte: Diário Catarinense – Estela Benetti)
Desemprego avança e chega a 11,2% no país
O desemprego atingiu 11,2% no trimestre encerrado em abril, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa já apurada pela Pnad Contínua, cuja série histórica foi iniciada em janeiro de 2012. Além disso, o rendimento médio real do trabalhador recuou 3,3%, para R$ 1.962.
A quantidade de pessoas sem postos de trabalho bateu recorde negativo: são 11,4 milhões de pessoas, o maior nível já visto pela pesquisa. A Pnad é a pesquisa de desemprego oficial do instituto. Ela apura dados por trimestre e tem divulgação mensal. O levantamento faz uma verificação em todo o território nacional. A taxa de desemprego do trimestre encerrado em abril (fevereiro, março e abril) superou o registrado em igual período de 2015, de 8%. No trimestre fechado imediatamente anterior (novembro, dezembro e janeiro), foi de 9,5%. A quantidade de desocupados – desempregados em busca de inserção – cresceu em 3,383 milhões no intervalo de um ano.
O número teve alta de 42,1% em relação ao apurado no trimestre encerrado em abril de 2015. Nesse período, 1,545 milhão de pessoas perderam seus empregos. A população ocupada – de fato empregada, formal ou informalmente – encerrou abril em 90,6 milhões, queda de 1,7% em relação a igual período do ano passado.
– Para cada posto de trabalho que se perdeu, surgiram duas pessoas à procura de emprego – explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Renda do IBGE.
Ocupação também atingiu menor nível – A conta é possível porque o número de pessoas que perderam o emprego (1,5 milhão) é quase metade das que entraram na fila (3,3 milhões). O nível da ocupação, que é o percentual das pessoas com idade para trabalhar que estão empregadas, também atingiu o menor nível, de 54,6%. Há um ano, no trimestre encerrado em abril de 2015, esse valor era de 56,3%.
A extinção de postos de trabalho aliada à redução na renda dos trabalhadores que permanecem ocupados provocou a queda de 4,3% na massa de rendimento em circulação na economia. (Fonte: Diário Catarinense)