CCJC da Câmara aprova admissibilidade de PEC que trata do tempo de descanso do motorista profissional

CCJC da Câmara aprova admissibilidade de PEC que trata do tempo de descanso do motorista profissional

A CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (16), a admissibilidade da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 22/2025, que institui a Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional. A presidência da Câmara dos Deputados deverá criar uma Comissão Especial para tratar do mérito da matéria. A Proposta de Emenda à Constituição já foi aprovada pelo Senado Federal.

A proposta tem como objetivo ampliar a segurança jurídica para trabalhadores e empresas do setor, adequando a legislação às condições reais de operação do transporte rodoviário brasileiro, especialmente no que tange ao tempo de descanso e ao acúmulo das horas, além das regras para duplas de motoristas no transporte coletivo de passageiros.

O texto reconhece a prevalência das convenções e dos acordos coletivos de trabalho na regulamentação da jornada dos motoristas profissionais. Com isso, passa a permitir o fracionamento do descanso diário em viagens de longa distância, desde que seja assegurado um período mínimo de 8 horas ininterruptas de repouso.

A PEC nº 22/2025 foi construída em diálogo com representantes dos trabalhadores, empregadores, governo federal, Senado Federal e representantes dos caminhoneiros autônomos e o Sistema Transporte. O tema integra a agenda institucional prioritária da CNT em 2026 e é considerado estratégico para a modernização das relações de trabalho no transporte.

A discussão ganhou força após o julgamento da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 5322 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que analisou dispositivos da Lei do Motorista (Lei nº 13.103/2015). Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes reconheceu a validade das negociações coletivas firmadas entre empresas e trabalhadores, com base no artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal.

Apesar desse entendimento, empresas do setor continuaram sendo autuadas por órgãos fiscalizadores em situações envolvendo o fracionamento do descanso diário de 11 horas, mesmo quando a prática estava prevista em acordos coletivos. O cenário passou a gerar insegurança jurídica para transportadores e profissionais da categoria.

Originária do Senado Federal, a proposta recebeu contribuições da CNT ao longo de toda a tramitação, consideradas fundamentais para a construção de um texto de consenso entre os diversos atores envolvidos. Alguns dos pontos defendidos pelo Sistema Transporte são a promoção da segurança viária, a proteção da saúde dos motoristas e a observância da jurisprudência do STF, em consonância com o princípio constitucional de valorização da negociação coletiva.

Fonte e foto: Agência CNT Transporte Atual

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