A Fetrancesc acompanha com preocupação o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal. Com a previsão para ser analisada nesta quarta-feira, 2, pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a Federação reforça a necessidade de um debate amplo e responsável sobre os impactos das mudanças nas relações de trabalho, considerando as particularidades de cada setor, especialmente do transporte rodoviário de cargas, atividade essencial para o abastecimento logístico e o funcionamento da economia do Brasil.
Projeções do setor apontam que a redução da jornada poderá representar uma perda de produtividade de cerca de 15% e comprometer a capacidade de abastecimento logístico. Para manter o atual nível operacional, as empresas poderão enfrentar um aumento de aproximadamente 10% no custo por hora do motorista e a necessidade de ampliação de 18% da folha de pagamento, em um cenário já marcado pela dificuldade de contratar mão de obra especializada.
Esse aumento de custos irá pressionar o valor do frete, com reflexos diretos no preço final dos produtos ao consumidor. A preocupação da Fetrancesc é que uma mudança dessa dimensão, sem um debate aprofundado sobre seus impactos econômicos e operacionais, resulte em perda de competitividade e dificuldades para manter a eficiência da cadeia logística, afetando não apenas as transportadoras, mas diversos setores da economia.
A Fetrancesc defende que a discussão da pauta seja conduzida por meio da negociação entre trabalhadores e empregadores, respeitando as convenções e os acordos coletivos e as particularidades de cada atividade e segmento. Para a Federação, é fundamental fortalecer cada vez mais o diálogo e a autonomia das partes na construção de soluções que atendam às diferentes realidades do mercado de trabalho.
Dagnor Schneider
Presidente da Fetrancesc
