A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado não encerra o debate sobre os impactos dessa mudança nas relações de trabalho e na economia. A Fetrancesc mantém a preocupação com os efeitos sobre o transporte rodoviário de cargas, setor essencial ao abastecimento do país, e que já utiliza amplamente os limites legais de jornada e horas extras.
As projeções apontam que com a redução na carga horária haverá uma perda de produtividade de cerca de 15%, além do aumento de aproximadamente 10% no custo por hora do motorista e a necessidade de ampliar em 18% a folha de pagamento. Tudo isso em uma atividade que já enfrenta dificuldades para contratar profissionais especializados.
O TRC depende da disponibilidade de mão de obra qualificada, mas o setor tem enfrentado dificuldades para atrair novos trabalhadores. Uma realidade que pode alcançar toda a cadeia de abastecimento e comprometer a capacidade de atendimento da demanda logística nos próximos anos. Dessa forma, o impacto não ficará restrito às transportadoras.
O aumento dos custos será repassado ao frete e poderá encarecer os produtos para o consumidor. Decisões que desconsideram a realidade de quem produz, transporta e abastece o país têm consequências para toda a sociedade. O custo de uma mudança sem considerar seus efeitos reais será pago pelas empresas, pelos consumidores e pela economia brasileira.
Dagnor Schneider
Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc)
