A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) vê com preocupação o anúncio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a suspensão temporária de serviços de monitoramento da qualidade de combustíveis e a redução de escopo do Levantamento Semanal de Preços de Combustíveis (LPC) nos postos de abastecimento. A medida é um reflexo do corte orçamentário do Governo Federal de cerca de 25% em 2025.
A entidade catarinense acredita que há riscos de enfraquecimento da fiscalização do produto vendido nas bombas, aumento da concorrência desleal e possíveis prejuízos à segurança e ao consumidor. O óleo diesel é um dos combustíveis mais utilizados do Brasil e essencial para o setor rodoviário. Quando adulterado, é extremamente danoso aos caminhões, ocasionando perda de desempenho especialmente em subidas, aumento do consumo de combustível, falhas no motor e danos ao sistema de injeção.
A notícia da interrupção de serviços da ANP chega em um momento delicado, quando o mercado trabalha com o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina e de biodiesel no óleo diesel.
No caso do setor de transporte rodoviário de cargas, o alto índice de biodiesel no diesel, por si só, já representa um sinal de alerta. Além de fugir de padrões internacionais, o aumento do percentual de biodiesel tem provocado falhas mecânicas nos caminhões e, consequentemente, aumento do risco de acidentes. Sem o monitoramento da qualidade do combustível, é impossível prever os reais impactos para o setor.
O Governo Federal precisa encontrar soluções que assegurem a autonomia financeira e a estabilidade da ANP, a fim de garantir o funcionamento da agência em função de sua relevância e das consequências negativas para a sociedade geradas pelo enfraquecimento de suas atividades.
Dagnor Schneider
Presidente da Fetrancesc
