Testar tecnologias, preparar equipes e participar do planejamento das cidades foram alternativas apresentadas para inovar o setor de transporte no terceiro dia do Executive Program do SEST SENAT, na terça-feira, 29. A partir de experiências de outros setores, os empresários discutiram como aplicar novas soluções às operações, trabalhar com inteligência artificial e buscar parceiros para resolver desafios de suas empresas. O presidente da Fetrancesc e do Conselho Regional do SEST SENAT em Santa Catarina, Dagnor Schneider, participado evento em São Paulo.

Anuar Helayel (Grupo JCA) e Dagnor Schneider
A programação começou com o Momento Flow, conduzido por Wilma Bolsoni, seguido da palestra de José Morey. Médico e especialista em inteligência artificial, com experiência em projetos ligados à Nasa, ele mostrou como tecnologias e métodos usados em operações complexas podem inspirar aplicações no transporte, como antecipar falhas em veículos, organizar a circulação em terminais e planejar rotas.
Entre os exemplos, Morey explicou como sensores e sistemas de análise de dados podem antecipar falhas, o que ajuda a programar reparos antes que um veículo pare inesperadamente. A organização da chegada de caminhões aos terminais foi relacionada à lógica usada para coordenar a circulação de aeronaves. Na robótica, os exemplos incluíram equipamentos para movimentar mercadorias e auxiliar trabalhadores no manejo de cargas.
A escolha dessas ferramentas, segundo Morey, deve partir do problema que a empresa pretende resolver e dos dados disponíveis. Modelos abertos de IA podem reduzir custos em determinadas aplicações, mas os resultados precisam ser testados e conferidos antes de orientar decisões.
Experimentar para inovar
O caminho entre desenvolver uma tecnologia e colocá-la em funcionamento apareceu na experiência da advogada e empreendedora Paola Santana. Cofundadora da Matternet, empresa que desenvolve redes de entrega por drones, ela participou das discussões sobre as primeiras regras para esses equipamentos nos Estados Unidos. Hoje, dirige a GLASS, que cria ferramentas para compras públicas.
Paola apresentou a mentalidade moonshot, que parte de grandes desafios para buscar soluções mesmo quando ainda não se conhece todo o caminho. Foi assim, segundo ela, no desenvolvimento das entregas por drones. Os testes revelaram falhas, provocaram mudanças no projeto e ajudaram a chegar a novas aplicações. Uma delas nasceu da parceria com a Mercedes-Benz, que combinou veículos e drones na coleta e distribuição de mercadorias. “A primeira versão da sua ideia nunca é a melhor versão da sua ideia”, afirmou.
A trajetória serviu também para discutir o que acontece entre uma boa ideia e sua aplicação. Conhecer de perto o problema, testar, ouvir outras contribuições e corrigir o que não funciona fizeram parte do desenvolvimento dos drones, assim como o diálogo com os órgãos reguladores. Com a experiência da GLASS, Paola trouxe outro aprendizado: tecnologia e processos precisam avançar juntos para que uma solução funcione.
Equipes e inteligência artificial
A discussão sobre a organização do trabalho seguiu com o futurista Kian Gohar, fundador da Geolab, empresa de pesquisa e formação em liderança e inovação. Segundo ele, em uma operação de carga, a IA pode ajudar a planejar rotas e acompanhar veículos, enquanto o profissional passa a revisar as decisões do sistema e resolver imprevistos.
Essa mudança exige que os líderes definam quais tarefas podem ser feitas pela tecnologia e quais precisam de acompanhamento humano. Gohar recomendou avaliar o risco e a possibilidade de corrigir um erro. Uma decisão que afeta a segurança de um motorista, por exemplo, exige cuidados diferentes de uma compra de material de escritório.
Ele também alertou para a tendência de aceitar a primeira resposta satisfatória da IA e sugeriu comparar alternativas. Para Gohar, a troca entre colegas continua necessária para avaliar propostas, e os gestores devem explicar as mudanças e como cada pessoa pode participar.
Transporte e cidades
As decisões que afetam as operações também passam pelo planejamento urbano. Encerrando as palestras do dia, o arquiteto e urbanista Valter Caldana, professor titular da FAU Mackenzie, falou sobre os impactos causados pelo crescimento das cidades. “Quando o desenho urbano muda, muda a forma como as pessoas e a mercadoria circulam”, afirmou.
Congestionamentos, alagamentos e obras mal organizadas foram exemplos de problemas que geram prejuízos às empresas e precisam de soluções conjuntas. Caldana defendeu que o planejamento precisa levar em conta transporte, infraestrutura, moradia, comércio e serviços. Propôs ainda intervenções que recuperem espaços urbanos e melhorem as ligações entre eles.
Por isso, recomendou que as empresas participem das discussões em torno dos planos diretores das cidades. As escolhas sobre o uso e a ocupação do solo afetam a demanda por transporte, o planejamento das linhas e os investimentos em frotas.
Soluções e troca de experiências
No fechamento do dia, a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, apresentou um caminho para os empresários buscarem soluções com startups. Explicou que a instituição leva problemas reais a um hub e trabalha com a HSM na identificação de empresas interessadas em solucioná-los. As propostas são apresentadas em encontros presenciais ou virtuais e, quando atendem às necessidades, podem resultar na contratação das startups.
Nicole estendeu essa possibilidade a empresários que enfrentam desafios semelhantes. “Quem não tem dentro da empresa uma área de P&D ou uma estrutura para avaliar startups no mercado pode contar com o SEST SENAT para buscar soluções para problemas reais”, afirmou. A proposta é conhecer essas demandas, identificar problemas em comum e aproximar as empresas de possíveis soluções.
Depois das palestras, a programação seguiu com um jantar com mentoria, organizado em mesas conduzidas por especialistas do programa. O encontro abriu espaço para retomar temas discutidos durante o dia, esclarecer dúvidas e compartilhar experiências entre empresários e convidados.
Sobre o Executive Program
Realizado pelo SEST SENAT em parceria com a HSM/Singularity Brazil, o Executive Program é uma imersão em liderança, inovação e tecnologia destinada a empresários e executivos do transporte. A terceira edição reúne 81 participantes, entre eles presidentes de conselhos regionais do SEST SENAT, em palestras, workshops e atividades de troca de experiências. A programação segue até quarta-feira (30), em Embu das Artes (SP).
Fonte: SEST SENAT | Fotos: Divulgação
